Friday, March 23, 2007

Princípios estratigráficos

Principio da sobreposição:
Segundo este princípio, os sedimentos mais antigos tem que ficar por baixo dos mais recentes. Assim, numa série normal, qualquer camada é mais moderna do que a que lhe serve de base e mais antiga do que a que lhe fica por cima. Este princípio não se aplica a camadas que estejam deformadas ou invertidas, pois essa deformação deu-se posteriormente à sua formação.
Existem algumas excepções a este princípio. As rochas sedimentares podem sofrer processos de erosão, dobramento e intrusão, que não vão respeitar este princípio.


Principio da continuidade:
Em diferentes pontos da Terra pode haver a mesma sequência estratigráfica, mesmo faltando um elemento tem a mesma idade, ou seja, é a correlação entre estratos distanciados lateralmente.

Principio da idade paleontológica:
A atribuição de uma idade relativa a um estrato (ou a um conjunto de estratos) e a comparação de ambientes de sedimentação só se tornou possível a partir do século XIX, quando William Smith enunciou o princípio da identidade paleontológica, onde mencionava “se os estratos possuírem os mesmos fósseis, então formaram-se mais ou menos ao mesmo tempo e em áreas com ambientes semelhantes”.
É com base neste princípio que se procura estudar aprofundada mente a história da Terra.

Principio da intersecção e principio da inclusão:
Sempre que uma estrutura é intersectada por outra a que intersecta é mais recente.
O estrato que apresenta a inclusão é mais recente que os fragmentos do estrato incluído.

Principio da horizontalidade:
Os sedimentos depositam-se em camadas horizontais, pelo que, qualquer fenómeno que altere essa horizontalidade é sempre posterior à sedimentação.

Principio do actualismo e das causas actuais:
As causas que provocaram determinados fenómenos são idênticas às que provocaram os mesmos fenómenos no presente.
"O presente é a chave do passado"
Duna fóssil de Oitavos

Há cerca de 10000 anos, verificou-se uma acentuada descida do nível médio das águas do mar provocando alterações do litoral que terão levado à formação desta duna. Inicialmente, ela seria constituída por grãos de areia "soltos" que se moviam pela acção do vento. Estes grãos foram-se progressivamente fixando e ligando entre si devido à deposição/precipitação de partículas carbonatadas e argilosas que eram transportadas nas águas que circulavam entre eles. Terá sido deste modo que essa duna consolidou e se preservou até aos dias de hoje.

Na imagem, é possível observar o interior da estrutura dunar. Da sua análise é possível deduzir algumas características do ambiente de formação da duna como por exemplo a direcção predominante dos ventos que lhe deram origem.
A duna assenta sobre um antigo nível de solo, mais argiloso e acastanhado, com conchas de gastrópodes (caracóis) do género Helix, fossilizadas.
Estes terrenos arenosos, por serem muito permeáveis, secam rapidamente não acumulando água. Deste modo a vegetação existente não é muito abundante, sendo essencialmente rasteira e arbustiva.
A fauna existente é igualmente condicionada, predominando os pequenos mamíferos roedores e insectívoros.

Tuesday, March 20, 2007

Fósseis

Os Fósseis são restos ou vestígios preservados de animais, plantas ou outros seres vivos em rochas, sedimentos, gelo ou âmbar. Preservam-se como moldes do corpo ou partes deste, rastros e pegadas. A totalidade dos fósseis e sua colocação nas formações rochosas e camadas sedimentares é conhecido como registro fóssil. A palavra "fóssil" deriva do termo latino "fossilis" que significa "ser desenterrado". A ciência que estuda os fósseis é a Paleontologia. A fossilização raramente ocorre porque a matéria orgânica dos seres vivos tende a ser rapidamente decomposta. Logo, para que um organismo seja fossilizado, os restos devem ser rapidamente cobertos por sedimentos.

Sunday, March 18, 2007

NOTICIA:

Dois sismos na Indonésia

Pelo menos 70 mortos na ilha de Sumatra, disse fonte presidencial

Dois terramotos mataram hoje pelo menos 70 pessoas na ilha de Sumatra, na Indonésia, disse um porta-voz do presidente. Os sismos de forte intensidade feriram centenas de pessoas e foram sentidos na Malásia e em Singapura, onde vários edifícios foram evacuados.

“Neste momento o balanço é de 70 mortos no conjunto das diferentes zonas e de dezenas de feridos”, disse Sudi Silalahi, porta-voz do presidente Susilo Bambang Yudhoyono.Na cidade de Padang, capital provincial na parte ocidental de Samatra, o primeiro sismo atingiu a magnitude de 6,3 e provocou o pânico porque a população temia um novo tsunami. Mas não há indicação de ter havido um maremoto. O abalo ocorreu às 11h00 locais.O instituto nacional da Indonésia mediu a intensidade do sismo em 5,8 na escala de Richter. A agência de meteorologia de Singapura estimou a magnitude em 6,6.Vários edifícios ruíram e outros ficaram bastante danificados. Entre 200 a 300 pessoas deram entrada nos hospitais de Padang. O epicentro foi localizado a 420 quilómetro de Singapura, segundo o Instituto de Geologia dos Estados Unidos.Duas horas mais tarde um segundo tremor de terra, com magnitude 6,0, atingiu a mesma área, aumentando o pânico entre a população. Autoridades locais disseram que pelo menos 14 pessoas morreram na cidade de Solok, 40 quilómetros a nordeste de Padang. Outras 16 pessoas morreram em Batusangkar, a norte de Padang, disse Rustam Pakaya, chefe do centro de crise do ministério indonésio da Saúde. Entre os mortos há crianças que foram atingidas pela queda de edifícios.
06 de Março de 2007
NOTICIA

Caso:
Mar morto
"O MAR ESTÁ A DESAPARECER"



Com ajuda do Banco Mundial, cientistas criam plano para restaurar o nível do corpo d'água, que está a secar.O mar Morto está a morrer. Mas ainda pode ser salvo. E agora as três partes interessadas na sua sobrevivência -a Autoridade Palestina e os governos de Israel e Jordânia assinaram um acordo para iniciar estudos sobre a viabilidade de não só salvar o mar mas também melhorar a vida das populações em boa parte da região, com ajuda do Banco Mundial. O mar interior fica na fronteira entre Israel e Jordânia. Tem esse nome porque é salgado demais para permitir a vida de peixes e plantas. E está a desaparecer. O seu ritmo de "morte" é relativamente rápido: o seu nível fica 80 cm mais baixo a cada ano. No começo do século 20, a sua área era de 950 km2; em 1997 era de 640 km2. "O mar Morto está a secar muito rapidamente desde o começo dos anos 60 por dois motivos: o uso da água da bacia para irrigação e a evaporação acentuada por conta da indústria de potassa [hidróxido de potássio] ", disse Michael Beyth, cientista-chefe do Ministério da Infra-estrutura de Israel e um estudioso do tema. O actual projecto foi baptizado de "Canal da Paz" -embora não seja um canal (mais propriamente um aqueduto) e a paz ainda seja mercadoria rara na região. A ideia em estudo é levar água do mar Vermelho ao mar Morto, salvando o lago salgado e provendo água para a agricultura e povoações pelo caminho. O "canal" teria cerca de 80 km de comprimento. "Com a constante redução do nível do mar, o canal torna-se cada dia mais importante, para compensar a água perdida pela evaporação e pela manutenção de tradicionais áreas turísticas da região", diz Beyth. O mar Morto é popular entre turistas. Sua altíssima salinidade faz com que qualquer um consiga boiar sem esforço em suas águas. Segundo Beyth, a construção do aqueduto levaria dez anos e custaria muito dinheiro. Vários estudos foram feitos ao longo dos anos. Outros projectos recentes, agora descartados, previam canais ligando o mar Morto ao Mediterrâneo. A ligação mar Vermelho-mar Morto foi considerada a melhor opção. Além de servir para recompor o nível de água, o aqueduto e suas obras paralelas trariam a dessalinização e produção de 800 milhões de metros cúbicos de água potável por ano, diz o cientista israelita. Ainda há desafios científicos pelo caminho. Resgatar o mar Morto não significa só ligar uma mangueira de água do mar para enchê-lo. É preciso saber exactamente qual o tipo de água levar até ele. Mas o projecto despertou a atenção da comunidade científica da região. E, se bem-sucedido, daria um excelente exemplo de convivência e cooperação para uma das regiões politicamente mais instáveis do planeta.

Saturday, March 10, 2007

CURIOSIDADES acerca das propriedades físicas dos minerais


-> A história da utilização dos minerais resulta da observação dos achados arqueológicos. O homem pré-histórico, para cobrir as suas necessidades, fez uso do sílex e outras variedades de quartzo. Nas sociedades neolíticas, o homem usou gemas (minerais utilizados em joalharia e ourivesaria) como moeda de troca. Quando descobriu os metais (ouro, cobre, estanho, ferro) passou a fazer uso deles. O conhecimento dos metais e a sua utilização caracterizou alguns períodos da antiguidade, como a Idade do bronze ou a Idade do ferro. Actualmente, o homem faz uso directo ou indirecto de quase todos os minerais conhecidos, mais de 2.600 espécies minerais.

-> As características fundamentais de espécie mineral são a ordem geométrica, a periodicidade no arranjo da matéria, bem como a natureza dos átomos que entram na composição química da espécie mineral.

-> A origem do nome dado às diferentes espécies minerais é bastante diversificada. Existem nomes derivados da composição química do mineral (exemplos: cuprite = óxido de cobre; manganite = hidróxido de manganês), nomes derivados do nome de uma localidade onde o mineral foi descoberto (exemplos: autunite = Autun (França); labradorite = Labrador (Canadá), nomes derivados de uma das propriedades do mineral [exemplos: cor – albite = albus (branco); densidade – barite = barus (pesado); clivagem – ortóclase ou ortose = clivagens ortogonais], nomes derivados do nome de uma pessoa (exemplos: berzelianite = Berzelius; smithsonite = Smithson).

Propriedades físicas dos minerais

Introdução

Raramente um mineral pode ser identificado por uma única propriedade, sendo usualmente necessário recorrer a várias.
Distinguem-se as propriedades físicas e as propriedades químicas. Eu irei abordar as propriedades físicas.


Cor dos minerais

A cor é a propriedade mais óbvia na observação dos minerais. Os minerais na sua maioria apresentam-se coloridos.

Minerais idiocromáticos: são minerais com uma cor característica e própria, apresentando sempre a mesma cor.
Exemplos: malaquite – verde; galenite – cinzento; pirite – amarelo de latão.

Minerais alocromáticos: são minerais que não apresentam cor constante, isto é, são minerais cuja cor é susceptível de variar
Exemplos: quartzo – pode ser incolor, branco, róseo, violeta, amarelo ou negro.

Malaquite

Pirite

Quartzo leitoso

Quartzo

Conclusão a cerca da cor dos minerais

Posso assim concluir que como a cor raramente é única para cada mineral e porque a verdadeira cor pode ser alterada, esta característica não constitui uma propriedade muito fiável na identificação de minerais.


Risca ou traço dos minerais

A risca ou traço corresponde à cor do mineral quando reduzido a pó.
Determina-se o traço de um mineral esfregando o mineral em questão sobre uma placa de porcelana não polida – placa de traço. Esta placa tem, aproximadamente, D=7 pelo que não pode ser utilizada para determinar o traço de minerais com dureza superior ou igual a 7. Nestes casos ter-se-à de reduzir o mineral a pó, num almofariz.



Técnica para observação da risca


Os minerais idiocromáticos têm normalmente risca negra ou de cor escura. A pirite, por exemplo, tem cor amarelo-latão e a risca é negra.
Geralmente, os minerais alocromáticos têm risca incolor ou, pelo menos, de cor cinzento-clara.



Conclusão a cerca da risca dos minerais

A risca é uma propriedade importante na identificação de minerais, porque mesmo que a cor do mineral varie entre limites amplos, a risca mantém-se normalmente constante, podendo, em certos casos, ser diferente da própria cor do mineral. A pirite, por exemplo, tem cor amarelo-latão e a risca é negra.

Brilho

Os minerais são também classificados com base nas diversas estruturas cristalinas, ou seja, a ordem rigorosamente geométrica, em que se posicionam os seus átomos. São as estruturas cristalinas que conferem aos minerais a dureza, o brilho, transparência, a densidade e muitas outras características.
Também as pedras preciosas são minerais de especial beleza, que são cortados e refinados para aumentar o seu esplendor.


O brilho é o resultado da qualidade e da intensidade da luz que é reflectida na superfície dos minerais.

É costume identificar o brilho dos minerais pela semelhança com o brilho de objectos muito conhecidos.
Assim, os minerais podem ser classificados, quanto ao brilho, de dois tipos:

Brilho Metálico

Brilho Não metálico


Brilho Metálico — minerais reflectem a luz de um modo semelhante ao dos matais polidos (costumam geralmente ter risca escura ou negra)
Ex: galenite

Quando o brilho do tipo metálico é sensivelmente mais fraco, designa-se por brilho sub metálico.
Ex: Volframite

Brilho Não metálico — reflecte a luz de um modo semelhante a outros materiais que não sejam metal polido.



CURIOSIDADES

· O precioso diamante e a vulgar grafite dos lápis são ambos cristais de carbono.
· Pode acontecer que o mesmo elemento forme cristais completamente diferentes em função da variação das condições em que se encontram.


Clivagem

A clivagem e a fractura são 2 propriedades físicas dos minerais que estão relacionadas com o aspecto que estes adquirem após serem submetidos a um fenómeno que seja capaz de provocar a sua divisão
Assim…
A tendência que um mineral possui para se dividir segundo superfícies planas e brilhantes, em determinadas direcções, é designada por clivagem.
Assim, quando é aplicada uma pancada de um martelo sobre uma amostra de calcite, esta divide-se em superfícies planas e brilhantes, que pelo choque continuado, se repetem paralelamente a si mesmas;

Por conseguinte, qualquer plano paralelo ao plano de clivagem é potencial ponto de clivagem.

A clivagem é “fruto” do arranjo dos átomos ou iões e do facto das ligações químicas serem mais fortes em determinados sentidos, separando-se com maior facilidade os planos que se encontram ligados por forças mais fracas. A clivagem está, assim, relacionada com a textura do mineral.


Fractura

Quando um mineral não apresenta clivagem visível, e se desagrega em fragmentos com superfícies mais ou menos irregulares sem direcção privilegiada, quando percutido, então estamos perante a propriedade física dos minerais designada por fractura.
Esta propriedade física revela que todas as ligações são igualmente fortes, qualquer que seja a direcção considerada.
As superfícies de fractura não se repetem paralelamente a si mesmas e apresentam diferentes aspectos.

Dureza

Dureza → Esta é uma das mais importantes propriedades para a identificação de muitos minerais. Define-se como dureza de um mineral a resistência que uma superfície lisa do mineral apresenta a ser arranhada (sulcada) por outro material (outro mineral, a ponta de uma faca, etc.). Em última instância, a dureza de um mineral está relacionada à reacção da estrutura cristalina à aplicação de esforço sem ruptura.

Friday, March 02, 2007

Actividade experimental
Porosidade das rochas

Introdução

Á superfície da Terra decorre um conjunto vasto de processos e fenómenos que se traduzem essencialmente pela desagregação das rochas, transformando-as em materiais detríticos e soluções químicas (meteorização).

As rochas podem sofrer uma meteorização mecânica e química. A meteorização mecânica inclui diversos processos que fragmentam as rochas; entre eles consta o crescimento de cristais de gelo nas fissuras e nos poros, quando a temperatura ambiente baixa para além do ponto de congelação da água. Também o crescimento de cristais salinos (como por exemplo o gesso e o sal) são responsáveis pela rápida degradação das rochas.

A meteorização química é a decomposição da rocha resultante de uma exposição à água e gases atmosféricos (principalmente oxigénio, dióxido de carbono e vapor de água). Os ácidos são os agentes de meteorização química mais efectivos, sendo de destacar o ácido carbónico resultante da dissolução de dióxido de carbono em água e os ácidos orgânicos produzidos pelas plantas ou resultantes da sua decomposição.

O processo de meteorização está assim dependente de diversos factores, nomeadamente do clima, tipo de rocha, vegetação, etc.

Segundo o seu processo de formação, as rochas têm propriedades muito diversas e respondem de forma diferente às mudanças climáticas.

A porosidade de um material rochoso influencia na resistência aos compostos ácidos das plantas e desagregação pelos gelos.

Define-se porosidade como sendo a percentagem de espaços vazio existentes numa rocha quando comparada com o seu volume total.

Com o objectivo de avaliar a porosidade de diferentes tipos de rochas, propõe-se a realização do seguinte protocolo experimental.

Quanto líquido pode conter uma rocha?

Podemos ter uma estimativa da porosidade de uma rocha através da medição da sua capacidade de absorção.
Amostras a testar: granito são, granito alterado, calcário cristalino, mármore e arenito calcário.
Para cada amostra, será talhado um paralelepípedo com dimensões aproximadas 3 cm x 6 cm.
Procedimento experimental:

a) Secar as amostras numa estufa a 60° C até estabilizar o peso;
b) Pesar cada amostra e registar os valores obtidos;
c) Introduzir as amostras durante 1 hora numa altura de água igual a ¼ da sua altura;
d) Após a 1ª hora de ensaio, acrescentar água até perfazer uma altura igual a metade da altura das amostras;
e) As amostras são assim mantidas durante mais 23 horas;
f) Decorridas as primeiras 24 horas de ensaio, acrescentar água até se atingir uma cota aproximada de 2 cm acima do topo das amostras.

1. Como espera que irá variar a capacidade de absorção das amostras testadas?

g) Ao fim de 48 horas, pesar novamente as amostras e registar os valores obtidos.

2. Após analisar os resultados obtidos, indique:
2.1. Qual é a rocha mais porosa?
2.2. Qual é a rocha menos porosa?
2.3. Qual será a rocha menos resistente ao processo de gelivação?

3. Explique a que se devem as diferenças de porosidade observadas nos diversos tipos de rochas.

4. Refira uma situação onde pode ser necessário fazer o estudo da porosidade de rochas.

Discussão dos resultados

A maioria das rochas pode armazenar água nos pequenos espaços porosos existentes entre os grãos ou ao longo das fissuras. O parâmetro que nos dá uma estimativa dessa capacidade é a porosidade, definida como sendo a percentagem de espaços vazios existentes numa rocha quando comparada com o seu volume total.

Segundo alguns esquemas de classificação, podemos dizer que existem principalmente 2 tipos de porosidades: a porosidade primária ou singenética (deposicional) e secundária ou epigenética (pós - deposicional).

Alguns poros, originalmente, são espaços entre partículas sedimentares adjacentes ou vesículas – pequenas cavidades – que se formaram nas rochas ígneas à medida que os gases se escapavam a partir do magma em arrefecimento. Nos sedimentos que foram compactados e cimentados originando rochas sedimentares, a precipitação de minerais – cimento – nos espaços porosos reduziu a porosidade original do depósito. Este tipo de porosidade é a chamada porosidade primária porque se desenvolveu ao mesmo tempo da formação da rocha.

A porosidade secundária desenvolve-se após a rocha se ter formado. Fracturas de origem tectónica e erosão contribuem para a ocorrência desse tipo de porosidade.

Geralmente a porosidade primária é maior nos sedimentos e rochas sedimentares e menor em rochas cristalinas, não meteorizadas (ígneas e metamórficas). Nas rochas metamórficas, muitos espaços porosos foram selados pelas imensas pressões a que foram sujeitas as rochas ou preenchidos por cristais que precipitaram a partir de fluidos quentes existentes profundamente na litosfera.

Conclusão

Na escolha de rochas para a construção, é necessário conjugar da melhor forma, as propriedades manifestadas por estas com os condicionalismos climáticos da área.

A velocidade de meteorização de uma rocha depende da sua composição mineralógica, textura e estrutura.

O quartzo, por exemplo, é tão resistente à deterioração química que as rochas também ricas em quartzo são resistentes (ex. quartzito, granito). No entanto, até essas rochas podem se desagregar rapidamente, se apresentarem fissuras ou outro tipo de espaços, que as tornam susceptíveis à gelivação.

A nível climático, a humidade e a temperatura promovem as reacções químicas. Assim, a meteorização é mais intensa em regiões de climas quentes e húmidos do tipo tropical húmido.

Nas regiões de clima frio e seco, a meteorização química dá-se muito lentamente; os efeitos da meteorização física são geralmente mais óbvios.

Contrastes dramáticos na meteorização podem ser vistos no caso das rochas carbonatadas expostas a condições climáticas diferentes. Rochas como o calcário e mármore, que consistem essencialmente em calcite, são muito susceptíveis à meteorização química em climas húmidos.

Nas regiões de clima seco, o mesmo tipo de rocha não sofre dissolução devido à falta de água e vegetação escassa.
Meteorização


Meteorização é o processo natural de decomposição ou desintegração de rochas e solos, e seus minerais constituintes, por acção dos efeitos químicos, físicos e biológicos que resultam da sua exposição a factores ambientais (neles se incluindo os factores antropogénicos, isto é devidos directa ou indirectamente à acção humana). Em resumo, a meteorização é o fenómeno natural a que estão sujeitos todos os materiais geológicos quando expostos à acção combinada da atmosfera, da hidrosfera, da biosfera e da antroposfera, ocorrendo de forma permanente e generalizada em toda a superfície terrestre, não devendo contudo ser confundida com os efeitos da erosão, embora tenha frequentemente com eles uma relação estreita de causa e efeito.
A meteorização pode ser física ou química


Efeitos da meteorização química nos monumentos:








Efeitos da meteorizaçao química nas rochas:



Thursday, March 01, 2007

«Desastre nacional» na Bolívia
2007/02/28

Fortes chuvas e inundações afectam o país

O presidente da Bolívia, Evo Morales, declarou «desastre nacional» na sequência das fortes chuvas e inundações que têm afectado o país, decorrentes do «El Niño», informam as agências internacionais.
Oito dos nove departamentos estão a ser severamente castigados, sendo que o balanço até agora é de 35 mortos, dez desaparecidos e meio milhão de desabrigados.
«Declara-se a situação de desastre nacional pela presença de efeitos climáticos adversos provocados pelo fenómeno de El Niño 2006-2007», afirma um decreto supremo expedido pelo presidente, abrindo a possibilidade de angariação de mais recursos da cooperação internacional.
Morales afirmou ter tomado esta decisão depois de sobrevoar o departamento amazónico de Beni, no nordeste da Bolívia, onde pelo menos 50% de seus 213.000 km2 de superfície estão debaixo de água.
O decreto autoriza o Ministério da Fazenda a distribuir os recursos de «até 1% das verbas autorizadas pelo Orçamento Geral da Nação, que serão destinados à atenção das regiões afectadas».

Wednesday, February 28, 2007

Mineral

É um corpo natural sólido e cristalino formado em resultado da interacção de processos físico-químicos em ambientes geológicos. Ex. calcite


Rocha

Rocha (ou popularmente pedra ou calhau para um pedaço solto de rocha) é um agregado natural composto de alguns minerais ou de um único mineral, podendo ou não conter vidro (o vidro não é considerado um mineral).



Rochas sedimentares

A palavra sedimentar tem origem no latim sedere (= acumular) e é uma referência ao seu processo de formação.


As rochas sedimentares são um dos três principais grupos de rochas, cobrindo cerca de 2/3 da área dos continentes e a maior parte do fundo dos oceanos.




Formam-se por três processos principais:
  • Pela deposição (sedimentação) das partículas originadas pela erosão de outras rochas (conhecidas como rochas sedimentares clásticas);
  • Pela deposição dos materiais de origem biogénica;
    E pela precipitação de substâncias em solução.

E podem ser divididas em:

  • Clásticas
  • Orgânicas
  • Químicas

Materiais constituintes das Rochas Sedimentares:

Minerais Herdados – provêm da rocha pré-existente;

Minerais de Neoformação – minerais novos formados durante o processo de sedimentogénese ou de diagénese devido a fenómenos físico/químicos.


Alguns exemplos de rochas sedimentares:

Calcário
Os calcários (do latim "calx -cis", "cal") são rochas sedimentares que contêm minerais com quantidades acima de 30% de carbonato de cálcio (aragonite ou calcita). Quando o mineral predominante é a dolomite (CaMg {CO3}2 ou CaCO3 . MgCO3) a rocha calcária é denominada calcário dolomítico.





Travertino
O travertino é uma rocha calcária, dura, compacta, densa, geralmente de estrutura concêntrica ou fibrosa. Tal rocha é formada pela rápida precipitação química de carbonato de cálcio, apresentando frequentemente marcas de ramos e folhas. Também é conhecida pelo nome de tufo calcário.








Arenito
O arenito é uma rocha sedimentar que resulta da compactação e litificação de um material granular da dimensão das areias. O arenito é composto normalmente por quartzo, mas pode ter quantidades apreciáveis de feldspatos, micas e/ou impurezas. É a presença e tipo de impurezas que determina a coloração dos arenitos; por exemplo, grandes quantidades de óxidos de ferro, fazem esta rocha vermelha.
Geralmente é depositado em ambiente continental, nos rios e lagos, ou em ambiente marinho, em praias, deltas ou nas sequências turbidíticas do talude continental.






Evaporitos
Evaporitos são rochas sedimentares vulgarmente formadas em ambientes de sedimentação de baixo aporte de terrígenos, submetidos a clima seco onde as taxas de evaporação das águas são elevadas, permitindo a formação de uma salmoura a partir da qual minerais evaporíticos se formam.
O potencial económico dessas rochas é enorme, valendo salientar que o cloreto de sódio ou sal de cozinha é um dos minerais evaporíticos de maior importância para o ser humano.
Além disso, os evaporitos costumam estar associados a ambientes altamente produtivos em matéria orgânica e no registro geológico é conhecida a associação de campos gigantes de petróleo e sequências espessas de evaporitos.


Carvão
O carvão é uma substância de coloração negra e de firme consistência, amplamente utilizada como combustível.

Saturday, February 24, 2007

Caso: Esmoriz


NOTÍCIAS do dia 22 de Fevereiro de 2007


Hermínio Loureiro criticou «indiferença» de Ministério do Ambiente em relação ao avanço do mar



O deputado do PSD Hermínio Loureiro questionou hoje o Governo sobre que «medidas imediatas» irá adoptar para evitar o contínuo avanço do mar na zona de Esmoriz, criticando a «indiferença» demonstrada pelo Ministério do Ambiente, noticia a Lusa.



«Quais as medidas imediatas que o Ministério irá adoptar para evitar este contínuo avanço do mar no litoral do Distrito de Aveiro, mais concretamente no Concelho de Ovar», questiona Hermínio Loureiro, num requerimento hoje entregue na Assembleia da República.



Reclamando uma intervenção «imediata e urgente» no litoral do distrito de Aveiro, o deputado social-democrata relata que a 3 de Fevereiro visitou a praia de Esmoriz, tendo constatado «a necessidade de serem tomadas medidas urgentes para evitar o avanço do mar, protegendo pessoas e bens».



No requerimento, Hermínio Loureiro lembra que já a 31 de Janeiro tinha solicitado ao ministro do Ambiente «uma intervenção urgente no litoral do distrito de Aveiro», lamentando que até agora nada tenha sido feito.



«Esta indiferença e ausência de resposta do Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional são altamente preocupantes», refere do deputado do PSD, sublinhando que «um problema com esta dimensão exige medidas excepcionais», não havendo «tempo a perder».



No requerimento enviado a 31 de Janeiro, Hermínio Loureiro já tinha alertado para os riscos de erosão costeira entre a Foz do Douro e a Nazaré, salientando que «o litoral do distrito de Aveiro tem uma taxa média de recuo muito elevada, superior à média nacional».



Nessa data, o deputado do PSD apontava as zonas de Espinho, Ovar, Esmoriz, Cortegaça, Maceda, Furadouro, Costa Nova, Vagueira e Areão como «zonas de elevado risco».
Quinta-feira à noite, as habitações junto à praia de Esmoriz foram ameaçadas pelo avanço do mar.



O paredão de defesa da costa começou a abrir junto ao Bairro dos Pescadores e, pelas 18:00, a água chegou a algumas casas, sem provocar danos de maior.


Maré desceu, alguns habitantes vão passar a noite em hotel

Esmoriz, Ovar 22 Fev. (Lusa) – A maré já recuou na praia de Esmoriz, de onde hoje foram retirados alguns habitantes de casas em que a água entrou, uma situação que o presidente da Câmara de Ovar afirma ter previsto.



Rupturas na muralha de defesa da costa provocadas pela maré forte de terça-feira levaram a que pelas 18:00 de hoje a água chegasse a algumas casas na praia, que os habitantes procuraram proteger com telhas e sacos de areia.



O risco de a maré voltar a aproximar-se das casas mantém-se, uma vez que a próxima preia-mar se verifica às 03:00 de sexta-feira.




O presidente da Câmara de Ovar, Manuel Oliveira, disse à Agência Lusa que desde 2005 que vem alertando para o risco de rupturas na muralha e referiu que na terça-feira contactou o Instituto da Água a dar conta dos rombos na muralha.



Manuel Oliveira afirmou ter hoje falado com a Secretaria de Estado do Ordenamento do Território e foi informado que o vice – presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional virá a Esmoriz ainda esta noite.



"Já chega de análises, é preciso acção" para repor e conservar a estrutura de defesa costeira, defendeu o autarca, que deu indicações à Protecção Civil Municipal para alojar e proteger as pessoas em risco.



Algumas pessoas das casas mais directamente ameaçadas foram aconselhadas a sair das habitações e passar a noite num hotel, providenciado pela autarquia, mas houve quem preferisse ficar.



"Já tive água em casa antes, andei no mar toda a vida e não tenho medo", afirmou um dos que preferiu ficar, Alberto Oliveira Carapuço, de 64 anos.



"Estou à espera que resolvam a ruptura no paredão e vivo com minha mulher. Ela tem medo mas diz que fica comigo", acrescentou.



Alberto Carapuço afirmou que a água entrou cerca das 18:00, mas referiu que "já estava à espera" e que a maré "não estragou nada".



"Para a frente, vamos ver", rematou.

Tuesday, February 13, 2007

GEOLOGIA:

Cheias

O que é uma cheia?
As cheias são fenómenos naturais extremos e temporários, provocados por precipitações moderadas e permanentes ou por precipitações repentinas e de elevada intensidade. Este excesso de precipitação faz aumentar o caudal dos cursos de água, originando o derrame do leito normal e a inundação das margens e áreas circunvizinhas. Nalgumas partes do globo as cheias podem dever-se também ao derretimento de calotes de gelo.
As cheias podem ainda ser causadas pela rotura de barragens, associadas ou não a fenómenos meteorológicos adversos. As cheias induzidas por estes acidentes são geralmente de propagação muito rápida.


Ribeira do Porto (Rio Douro), Dezembro 1989


Os prejuízos resultantes das cheias são frequentemente avultados, podendo conduzir a perda de vidas humanas e bens. O impacte no tecido sócio-económico da região afectada é geralmente significativo, podendo levar à destruição completa de explorações agrícolas e agro-pecuárias entre outras. A prevenção e mitigação do efeito das cheias é, por isso, de extrema importância.



Saída da Golegã para Lisboa (Rio Tejo), 1979






Duração de uma cheia:
O tempo necessário para que uma cheia ocorra e a sua duração dependem das características da bacia hidrográfica do rio em questão. Bacias de pequena dimensão apresentam, geralmente, condições para que uma cheia se forme e propague rapidamente, por vezes em escassas horas. Pelo contrário, em bacias de grandes dimensões, o pico da onda de cheia, e as inerentes inundações, demoram mais tempo a instalar-se, permitindo um aviso mais atempado às populações. Demoram também mais tempo a desaparecer, podendo demorar mesmo vários dias.

Podemos prever uma cheia?
Na maior parte dos casos, é possível prever uma cheia, através das observações meteorológicas e do conhecimento das descargas das barragens, e assim minimizar as suas consequências, avisando antecipadamente as populações através dos meios de comunicação social (jornais, rádio, televisão), e recomendando as medidas de auto-protecção adequadas. Contudo, em casos de inundação súbita, provocada por precipitações intensas e repentinas, associadas a instabilidades atmosféricas de difícil previsão, nem sempre é possível que a população seja alertada com a devida antecipação.
No âmbito da Protecção Civil, a possibilidade de ocorrência de cheias em Portugal Continental começa, geralmente, a ser analisada a partir do Outono, altura em que, normalmente, se inicia o período húmido em Portugal, estendendo-se até à Primavera.

As cheias em Portugal Continental:
As situações de chuva intensa, que originam as cheias, encontram-se associadas a condições de instabilidade atmosférica.
As inundações ocorrem um pouco por todo o país mas as bacias hidrográficas dos médios e grandes rios são as mais afectadas. Os rios Tejo, o Douro e o Sado têm um longo historial de cheias, frequentemente reportadas na comunicação social.
Outros rios apresentam actualmente maior capacidade para evitar a ocorrência de cheias. O rio Mondego, por exemplo, dispõe já de um sistema integrado de regularização (barragens e diques) que reduz a ocorrência de cheias frequentes.

As ocorrências mais graves de cheias em Portugal:

Dos inúmeros acontecimentos históricos registados, destacam-se as cheias que maior impacte tiveram em Portugal Continental:

1909
Dezembro
Rio Douro. Atingiu na Régua o caudal máximo de 16 700 m3/s;
1948
Janeiro
As mais generalizadas em Portugal, por se terem verificado em quase todos os rios do Continente;
1962
Janeiro
Norte e Centro do País, com principal incidência nos rios Mondego e Douro, onde se cotou como a 2ª maior cheia do século XX;
1967
Novembro
Rio Tejo. Morreram cerca de 500 pessoas, grande número de casas ficou gravemente danificado e foram destruídos muitos quilómetros de infra-estruturas;
1978
Fevereiro
Rios Tejo e Sado;
1979
Fevereiro
Rio Tejo. A cheia durou 9 dias, tendo provocado 2 mortos, 115 feridos, 1 187 evacuados e avultados prejuízos materiais. O distrito de Santarém foi o mais afectado. Considera-se como a maior cheia do século XX;
1983
Novembro
Rio Tejo. Morreu uma dezena de pessoas, 610 habitações foram completamente destruídas, 1 800 famílias desalojadas, tendo os prejuízos ascendido a cerca de 18 milhões de contos (valores da época);




Cascais, 1983







1989
Dezembro
Rios Tejo e Douro. Provocou 1 morto, 61 pessoas foram evacuadas no Distrito de Santarém e 1 500 ficaram desalojadas no Distrito de Vila Real (Régua), onde atingiu um caudal máximo de 12.000 m3/s.


Constância (Rio Tejo), 1989






1997
Outubro
Monchique. Precipitação muito intensa durante quatro horas alagou impetuosamente a localidade, com elevados prejuízos materiais em habitações, viaturas e equipamentos (ex: Termas das Caldas de Monchique).
1997
Novembro
Baixo Alentejo. Onze mortos devido a inundações repentinas nos concelhos de Ourique, Aljustrel, Moura e Serpa.
2000/01
Inverno
Rios Douro e Tejo. Um período de Inverno excepcionalmente chuvoso originou uma série de cheias consecutivas entre os meses de Dezembro e Março. Os distritos de Vila Real, Porto e Santarém foram os mais afectados. Outras bacias hidrográficas também registaram diversas situações de cheia, algumas das quais atingiram níveis recorde. Ao todo, durante este Inverno, cerca de uma dezena de pessoas perdeu a vida nas cheias, a maioria ao atravessar indevidamente zonas caudalosas. A saturação dos solos proporcionada pela precipitação contínua causou ainda diversos aluimentos de terras que provocaram mortos e desalojados.
2001
Janeiro
Rio Mondego. Níveis excepcionais de precipitação na região de Coimbra originaram um elevado caudal do Mondego, o que provocou a rotura dos diques do leito central do rio em 13 pontos distintos (por erosão dos taludes). A zona a jusante de Coimbra ficou alagada durante quase uma semana, com especial incidência para o concelho de Montemor-o-Velho.


Instabilidade atmosférica:
As condições climáticas e os regimes pluviométricos que se verificam em Portugal, proporcionados pelos núcleos de baixa pressão, que se formam no Oceano Atlântico, associados a sucessivas frentes húmidas que percorrem o País para leste, provocam períodos alongados de intensas precipitações em vastas áreas de Portugal.
O atravessamento destes sistemas frontais, ao efectuar-se para Leste, pode também afectar o território espanhol registando-se, consequentemente, um acréscimo das afluências às secções fronteiriças, contribuindo para as cheias na parte portuguesa das bacias internacionais.
Outro tipo de fenómenos meteorológicos, distintos dos anteriores, são os de origem convectiva, que produzem precipitações muito intensas e confinadas a uma reduzida dimensão espaço-temporal. Estas situações conduzem geralmente a pontas de cheia elevadas, sobretudo quando afectam as pequenas bacias hidrográficas. Este tipo de fenómenos, pela sua reduzida dimensão espacial, é por vezes de difícil previsão.



Bacias Hidrográficas dos rios DOURO, TEJO e SADO















NOTICIA:

Braga: EDP defende construção barragens para evitar cheias

O director da produção hidráulica da EDP – Energias de Portugal defende que é necessário aumentar a capacidade de retenção nos afluentes portugueses do Douro, para evitar situações de cheia.

"Temos uma capacidade de armazenamento de água de apenas nove por cento daquilo que poderíamos ter", explicou José Franco, num encontro com jornalistas na barragem do Alto Rabagão, em Montalegre, no distrito de Braga."As barragens actualmente existentes na bacia do Douro não têm, na prática, qualquer possibilidade de contribuir para o amortecimento das grandes cheias do curso principal do rio em território português", explicou.
Assim, a análise dos dados disponíveis confirma que "a ocorrência das cheias se deve, não a caudais excessivos provenientes de Espanha, mas sim aos caudais registados nos afluentes portugueses", sustenta. Entre eles, José Franco destacou o contributo dos sectores Águeda-Côa, Tua-Távora e Tâmega-Paiva, referindo que a solução deverá passar pela construção de barragens com albufeiras de capacidade significativa nesses afluentes, nomeadamente através da construção de novas centrais hidroeléctricas.
Estas, referiu, assegurariam "facilmente as variações normais de carga e são as únicas que podem responder satisfatoriamente às ocorrências acidentais, mesmo em períodos de baixa hidraulicidade". As centrais hidroeléctricas permitem, precisamente, que em períodos de menor utilização de energia (à noite) a água na albufeira seja "puxada" através de um sistema de bombagem, para ser armazenada e posteriormente utilizada.
Com a construção de novas barragens que integrem este sistema, será assim possível à EDP controlar "mais facilmente" uma cheia, porque a água pode ser armazenada, referiu o responsável, lembrando que, "se não existisse a central de Lindoso", as povoações de Ponte da Barca e Ponte de Lima já teriam desaparecido.
É que, apontou, os oito aproveitamentos existentes no curso principal do rio, cujas albufeiras são do tipo fio de água, não possuem praticamente qualquer capacidade de regularização de caudais, não podendo, por isso, contribuir para o amortecimento das grandes cheias.
"Somos acusados de muitas vezes actuar no Douro com teorias economicistas e isso não é verdade. Quando lançamos caudais que provocam inundações na Régua é porque não temos alternativa, porque no Douro a capacidade de retenção de água é muito reduzida", frisou.
Segundo José Franco, por cada aproveitamento hidráulico é feita uma análise em função dos caudais afluentes e evolução das cotas em articulação com o Instituto da Água (INAG), procurando-se dentro do possível minimizar os efeitos quer a montante quer a jusante. Em situações de cheia, sublinhou, a preocupação principal da parte da EDP é precisamente assegurar a salvaguarda de pessoas e bens.
Com uma gestão adequada das albufeiras é assim possível, de acordo com a EDP, tanto em circunstâncias normais como em situações de excepção (cheias e secas), o conhecimento antecipado dos caudais permite tomar decisões que nuns casos supõe um melhor aproveitamento dos recursos e noutros a diminuição, ou anulação de eventuais danos provocados a jusante das albufeiras. Todas as centrais estão, por sua vez, telecomandadas a partir da Régua, referiu.
01 de Fevereiro de 2007

Tuesday, February 06, 2007

Espécies introduzidas em Portugal
Espécie invasora:
Trandescantia fluminensis Velloso (erva-da-fortuna)

Categorias Taxonómicas:
Reino: Pantae
Filo: não encontrado
Classe: Angiospermae
Ordem: não encontrado
Família: não encontrado
Género: Trandescantia
Espécie: Trandescantia fluminensis

Características da espécie:
Caméfilo herbáceo com caules compridos, prostrados, enraizando nos nós. Folhas com 3 a 8 cm, ovadas a Ovado-oblongas, agudas, um tanto suculentas, geralmente purpurescentes na página inferior, glabras. Flores reunidas em cimeiras paucifloras; pedicelos com 1 a 2 cm, delgados; sépalas com 3 a 9 mm, lanceoladas e mais ou menos naviculares, glabras mas com quilha um tanto pubescente; pétalas com 7 a 12 mm, Ovado-lanceoladas, brancas ou lilacíneas.
Esta é, uma das muitas espécies invasoras no nosso país.

Origem geográfica:

Parte tropical da América do Sul: do Sudeste do Brasil à Argentina.

Forma de introdução em Portugal:

Espécie introduzida para fins ornamentais.

Distribuição em Portugal Continental:
Minho; Douro Litoral; Beira Litoral; Beira Alta; Estremadura; Alto Alentejo e Baixo Alentejo.

Ambientes preferenciais de invasão:
Geralmente esta planta prefere sítios sombrios e húmidos, sendo muito comum no sub coberto tanto de matas geridas como de bosques naturais, zonas ripícolas áreas perturbadas e urbanas. Continua, no entanto, a ser cultivada em jardins. Apesar de se desenvolver melhor em zonas de sombra, também cresce com luz e muito azoto. Não tolera o gelo e a seca diminui o seu vigor.

Impacto no ambiente:
Esta espécie aumenta a sua distribuição muito facilmente por crescimento vegetativo; pequenos fragmentos dos caules radicantes originam uma nova planta com facilidade. É uma espécie persistente que forma tapetes contínuos, prevenindo deste modo a regeneração de plantas nativas.


Medidas de combate (Métodos de controlo):

  • Controlo físico:

Pequenas áreas podem ser controladas arrancando manualmente, ou enrolando os “tapetes”. Em zonas quentes pode usar-se solarização, mantendo-se o plástico de 2 a 6 semanas. No entanto, é importante ter em conta que se fragmenta muito facilmente e que cada fragmento que tenha nós pode originar novas plantas com facilidade.

  • Controlo químico:

recorre-se por vezes à aplicação de químicos, sendo o triclopir um dos princípios activos usados; pode ser necessário mais do que uma aplicação. Tendo em conta os possíveis efeitos adversos, nas outras espécies e no meio ambiente, a sua aplicação deve ser sempre muito bem ponderada, sendo desaconselhada em áreas naturais.


A Clonagem

Clonagem humana:
A Clonagem está na ordem do dia, suscitando surpresa, entusiasmo, receio…ao estudar-se a genética faz sentido abordarmos brevemente como ocorre o processo da clonagem e as questões que levanta.Uma das questões que têm inquietado o mundo é a possibilidade de se produzirem clones humanos. Assim, considerando que a clonagem é uma intolerável agressão à identidade humana, foi criado um protocolo, em que é declarada a proibição da clonagem humana reprodutiva. Entre outros receios, domina o que se relaciona com a tentação de se seleccionarem as características mais desejáveis para se reproduzirem seres com objectivos muito específicos. A manipulação do código genético poderia possibilitar a tentação de se produzirem seres humanos com características previamente seleccionadas. Esta ideia associa-se ao projecto defendido pelos nazis, que advogavam a selecção e reprodução da raça ariana.

Mas afinal, o que é clonar?

Clonar é fazer cópias de um ser vivo copiando o seu ADN. Isto é, em vez de um ser resultar da combinação do ADN do pai e da mãe, o novo ser resulta da cópia de um só progenitor.

Existem dois tipos de clonagem:

- Clonagem reprodutora: processo pelo qual se cria uma cópia de um ser vivo com a finalidade, por exemplo, de preservar uma espécie, clonar um animal que nos era querido, ter um filho do nosso sangue, etc.- Clonagem terapêutica: processo com o objectivo de clonar órgãos para transplantes.
Em Fevereiro de 1997, uma ovelha, Dolly, foi o primeiro mamífero a nascer sendo um clone de uma célula mamária de uma ovelha adulta. Tal como nos gémeos homozigóticos, as duas ovelhas eram geneticamente idênticas. Muito brevemente, descreverei o processo em que estiveram envolvidas três ovelhas: pegaram num óvulo de uma ovelha adulta e retiraram-lhe o núcleo. Entretanto, extraíram células mamárias de uma outra ovelha. Após um conjunto de manipulações, implantaram o embrião no útero da ovelha portadora, que deu à luz a Dolly. Este processo viola a lei mais elementar da biologia: para gerar um novo ser é necessário um espermatozóide e um óvulo.Este processo é complexo, com uma elevada taxa de insucesso. Para se produzir a Dolly foram necessárias 277 tentativas, só 2% chegaram a nascer e só a Dolly conseguiu viver, morrendo precocemente. Depois da Dolly, a técnica da clonagem foi aplicada a ratos, porcos, touros e vacas. Existem projectos para se clonarem espécies em vias de extinção.

Friday, January 19, 2007

Teorias evolutivas
A primeira explicação razoável que foi proposta para explicar a evolução, é conhecida como Lamarckismo.
« LAMARCKISMO
Jean-Baptiste Lamarck foi quem primeiro surgiu uma teoria de evolução fundamentada, que explicava o modo de alteração das espécies. Assim, ao contrário dos seus contemporâneos, que se delimitavam a defender as ideias evolucionistas, Lamarck desenvolveu um estudo a cerca do modo como funciona a evolução.
A partir de 1801 ele passou a publicar vários livros nos quais combatia o Fixismo e o Catastrofismo. Sendo o primeiro grande evolucionista da história, ele teve a árdua tarefa de promover uma explicação para como ocorrem as mudanças de espécies, desafiando a crença tradicional.
Varias hipóteses iam surgindo, as quais Lamarck rejeitava, propondo basicamente duas afirmações:
  • A influência do ambiente produz mudanças físicas no individuo de uma espécie (lei do uso e do desuso).
  • Esse indivíduo transmite as modificações para os seus descendentes, que nascem adaptados (lei da herança dos caracteres adquiridos).

Os exemplos mais utilizados para exemplificar estas leis são o da girafa em que devido ao hábito de esticar o pescoço para chegar ao alimento no cimo da arvore, este com o tempo tenderia a alongar-se ainda que imperceptível, e os descendentes desses animais já nasceriam com pescoços ligeiramente mais longos, e assim por diante, geração após geração, até que houvesse uma estabilidade. O outro exemplo é por exemplo ocorrer uma mudança brusca no ambiente e o individuo passar a utilizar muito um determinado órgão, então esse órgão vai desenvolver-se tornando-se maior e mais forte. Caso o indivíduo deixe de utilizar esse órgão, então vai ocorrer a sua atrofia. Deste modo explica o desaparecimento dos órgãos que não mais tinham utilidade para a nova espécie.

Mas a teoria de Lamarck foi fortemente criticada: por um lado devido à ideia que transmitia de que a evolução era o caminho para a perfeição das espécies e por outro lado porque um individuo que faça uso dos seus músculos pode não ter descendentes com a musculatura desenvolvida, uma vez que as únicas alterações que são transmitidas à descendência são as que ocorrem nos gâmetas, ou nas células sexuais.

É curioso que hoje em dia, a teoria de Lamarck ainda esteja fortemente viva na memória popular, pois a maioria das pessoas que pensam saber algo sobre a evolução ainda raciocina em termos Lamarckistas.

« DARWINISMO

Na sua viagem à volta do mundo no Beagle, Charles Darwin recolheu os dados suficientes para desenvolver uma teoria da evolução, que se viria e demonstrar correcta.

A diversidade de seres vivos que se podem observar consoante o continente, inspirou Darwin a pensar que alguns daqueles seres deveriam ter antepassados comuns. Isto é, apesar da enorme diversidade de seres, alguns apresentam características muito semelhantes, que levam a crer na sua origem comum. Darwin tomou como exemplo as tartarugas existentes nas ilhas Galápagos pois, apesar de ocuparem territórios muito próximos, apresentam diferenças que permitem que cada espécie de tartaruga esteja melhor adaptada ao ambiente onde vive.

Darwin observou que, ao longo de gerações, o homem foi seleccionando espécies com características desejáveis, perpetuando-as através de cruzamentos planeados. No entanto, ao longo das gerações, as espécies vão apresentando cada vez mais diferenças dos seus ancestrais selvagens.

Teoria da selecção natural

Darwin concordava com os princípios elaborados por Lamarck, mas percebeu serem eles insuficientes para explicar a variedade de espécies existentes e as suas condições de vida.
Voltemos ao exemplo da girafa: segundo Darwin, não foi acção prolongada em esticar o pescoço para colher as folhas mais altas, que fez com que certos animais se tornassem girafas. Imaginemos que alguns tipos de animais foram habitar determinada região onde as melhores opções de alimento eram as folhas altas. Destes animais, alguns tinham pescoço um pouco maior, e colhiam as folhas com maior facilidade, e os outros um pescoço um pouco menor, tendo mais dificuldade em se alimentar. Assim, com o tempo, os animais de pescoço comprido foram favorecido pelo ambiente, isto é, foram seleccionados naturalmente, e os animais de pescoço menor acabaram por ser extintos, ou mudaram-se para outro local com condições que lhe fossem mais favoráveis.

A isso damos o nome de SELECÇÃO NATURAL. Uma lei que determina que só os mais adaptados ao ambiente poderão sobreviver, reproduzir-se e assim transmitir as suas características adaptativas aos seus descendentes. Portanto, os descendentes não têm o pescoço maior apenas porque o pescoço dos seus pais se desenvolveu, mas sim porque os seus pescoços já eram avantajados, e por isso eles sobreviveram e reproduziram-se.

Complemento:

Outra forma de imaginar isso é pensarmos sobre a crença comum de que os adolescentes que pratiquem Basquetebol ou Voleibol fiquem mais altos que a média, o que é uma ilusão. Ao notar que jovens jogadores de um destes desportos são altos, muitos pensam que foi a prática que os tornou maiores, mas na verdade o tamanho, ainda que seja influenciado pela alimentação e outros factores é muito mais determinado geneticamente.